A
Bobadela é uma particularmente bonita localidade deste concelho. Os romanos
ergueram aqui um importante centro urbano por volta dos séculos I-IV D.C.,
como provam os significativos vestígios arqueológicos que hoje restam
daquela a que na altura chamaram "splendidissimae civitati".
Sede de
"municipium" na época romana, esta cidade assiste à extinção
do seu esplendor, reduzindo-se com o tempo a uma simples, mas agradável,
aldeia incluída na "terra" de Seia ("Bovedella quod est in
terra de Senna" em 1256). Outrora dos senhores Freires de Andrade, foi
mais tarde um priorado da apresentação da Casa do Infantado.
Bobadela
foi, como já referimos, sede de um pequeno concelho mediaval, com foral
dado por D. Afonso III em 1256. D. Manuel concede-lhe foral novo a 15 de
Outubro de 1513. O concelho da Bobadela foi então abolido com a reforma
administrativa de 19 de novembro de 1836, ficando desde então agregado ao
de Oliveira do Hospital.
No
Pinheiro dos Abraços, a 2 Km de Bobadela, existe uma Anta que remete o
povoamento do território desta freguesia para o período Neolítico.
O
topónimo Bobadela aparece inicialmente sob a forma de Bovadela em documento
de séculoXII, Abovadella em 1211, Bovadella e Abovadela nas inquirições
de 1258.
O
topónimo "crasto" leva-nos igualmente a supor que a cidade romana
pode Ter uma origem pré-romana castreja.
Mas se
quer mesmo viajar no tempo, sem dúvida que um dos ex-libris da Bobadela é
o Arco Romano, composto de longas aduelas marcadas com o sinal do fórtex,
possivelmente uma entrada para um Forúm. Foi construído na primeira metade
do século II e está classificado como Monumento Nacional. Desta que ainda
para o anfiteatro romano da Segunda metade do séculoI/II, possivelmente
destruído por um incêndio no século IV, como sugere a camada de cinzas
depositada sobre a camada de areão no solo romano da arena. Junto deste
existe também uma fonte romana.
Na
ribeira de Cavalos pode ver ainda uma ponte romana. Quanto a inscrições
romanas há muitas, com destaque para as da base da torre da Igreja
Paroquial onde está uma lápide de granito com a palavra Neptvnale em
grandes caracteres, e que pode ter pertencido à inscrição dum templo, ou
comemorar as festas de Neptuno. Na sobre-verga da porta principal lê-se
"Esplendissime Civitati Ivlia Modista Flamina", que segundo Hubner
seria a inscrição consagrada ao génio local da cidade esplendidíssima de
que Júlia Modesta era Flamínia (sacerdotista do culto imperial).
Encontram-se ainda restos de inscrições e fragmentos de estátuas,
colunas, e outros elementos espalhados por toda a povoação e em alguns
museus nacionais.Mas, como já referimos, a origem de Bobadela é anterior
à época romana. Assim, nesta região pode ver também uma Anta do período
Neolítico, descoberta apenas em 1966. Durante as escavações foram
encontradas pontas de setas, facas de sílex, machados de pedra polida e
fragmentos de cerâmica
Pode
ainda visitar um Castro ou castros dos Mouros, no lugar do Outeiro de S.
Sebastião, situado no meio de um pinhal, na encosta de uma elevação,
junto a vários afloramentos graníticos e perto da Capela de S. Sebastião.
A Igreja
Paroquial da Bobadela, dedicada a Nª Sª da Graça, é do século XVI-XVII.
Depois de restaurada apenas conservou da igreja anterior um belo altar em
pedra do século XVI, descoberto nas traseiras do altar-mor aquando do
último restauro. Pode vê-lo junto da entrada principal, do lado esquerdo.
O interior, austero, alberga diversas esculturas de mérito dos séculos XV
e XVII e retábulos de madeira dourados, barrocos.
Existem
também três capelas e várias alminhas na freguesia. Digno de visita é o
pelourinho do século XVI de estilo Manuelino, que pertence ao número de
pelourinhos classificados como do tipo "pinho".
Na Casa
dos Godinhos ou casarão, antiga casa senhorial com janela manuelina,
remodelada no início do século XIX, funciona o Museu Municipal desde 1985.
Possui colecções de Cerâmica dos séculos XIX e XX, mobilário dos
séculos XVIII e XX, Pintura, Esculturas em gesso e mármore, valores
etnográficos e Arte Romana.
Se gosta
de casas bonitas então não pode deixar de ver a Casa da família Vaz
Patto. Um bom conjunto arquitectónica de elementos do século XVI, com
diversas janelas e portadas manuelinas ali integrados aquando do grande
restauro realizado início deste século. A Casa pertencente à família
Lagos, um edifício de granito aparelhado e vedação em gradeamento de
ferro forjado, é uma construção pela qual vai ficar assombrado. Sim,
porque curiosamente o povo chama-lhe a "Casa Assombrada".