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Património
Religioso
A Igreja Paroquial tem como titular a exaltação da Santa
Cruz. Originalmente românico-gótica,
sofreu grandes transformações em meados do Séc. XVlll, 1751, conservando no
conjunto, porém, três capelas dos Sécs. Xlll e XVl. A Capela dos Ferreiros,
que tem como titular tradicional N.ª S.ª da Expectação, do Séc. XVlll.
A fachada da Igreja mostra os cunhais em forma de pilastra,
ligados por cornija adintelada, a qual separa a secção alta que forma a
empena. A porta, de verga curva, entre duas pilastra ladeadas de altas aletas,
forma um conjunto com a sacada do coro. Esta possui bacia arredondada e
balaústres, com nichos vazios a ladeá-la. A linha da empena, de cantaria,
segue um traçado mistilíneo e forma, sob a cruz, pequeno remate. A torre, à
esquerda, levemente recuada, tem a composição arquitectónica estudada com a
da fachada, dividindo-se em três corpos. Mostra remate piramidal anelado,
podendo ser mais tardia a parte alta.
O púlpito, setecentista, assenta a bacia de pedra sobre
consolas unidas.
Os tectos são de madeira. O corpo apresenta-se pintado de
perspectivas arquitectónicas e com figuras, representando o conjunto a
"adoração do Cordeiro", pinturas de nível artificial, mas
interessantes. A parte correspondente ao coro está sem pintura, em virtude da
reforma.
O retábulo principal, de madeira entalhada e policroma, é
de quatro colunas torcidas, com grinaldas no cavalo delas, do princípio do
Séc. XVlll. A tela da "Invenção da Cruz" é do mesmo século e
inferior. Junto há uma credência de madeira dourada, em concheado
setecentista.
Os retábulos colaterais do arco cruzeiro, igualmente de
madeira e policromados, de duas colunas, movidos, são obra corrente do fim do
Séc. XVlll.
Os arcos de pedra que se abrem fronteiros, nos ombros do
corpo a que pertencem as capelas, são redondos, de arestas chanfradas, do tipo
da primeira metade do Séc. XVl. São eles tudo quanto resta dessa época, tendo
sofridos as capelas várias reformas posteriores.
A Capela de São Brás e de Nossa Senhora da Piedade contem
um letreiro esclarecendo a sua fundação – 1571 – e quem assumiu a sua
construção – o Licenciado Melchior Fernandez.
O seu tecto, em painelados de madeira, apresenta, pintados
nestes, bustos dos profetas segurando rótulos com emblemas, pinturas
setecentistas e secundárias. O retábulo, de madeira dourada, compõe-se de
colunas torcidas e com pâmpanos, do fim do Séc. XVll, nele se encontrando as
esculturas dos dois titulares, anteriores à fundação pia, ambas de calcário
e correntes. Nossa Senhora da Piedade, do meado do Séc. XV e São Brás,
gótica também, dos Sécs. XV-XVl.
A capela fronteira, à epístola, é dedicada a Nossa Senhora
da Expectação. Tecto de madeira, pintado de perspectiva arquitectónicas, que
mostram Nossa Senhora da Assunção ao centro, santos aos lados e havendo anjos
segurando rótulos com emblemas. Obra de nível artificial, do Séc. XVlll. O
retábulo é de madeira policromada, de nicho e duas colunas, do final do Séc.
XVlll, corrente, apresentando esculturas de madeira policromada, da segunda
metade setecentista, de tamanho médio e vulgares. São elas a Virgem com o
Menino, São Domingos e São Francisco. Foram-lhe aplicados, há alguns anos,
azulejos do meado do Séc. XVlll, de fabrico de Coimbra, a azul com o soco a
roxo. Em frente à entrada recorta-se um arco tumular simples. A arca é
desordenada. Contém os restos mortais de Jorge de Faria Garcês, com letreiro
inscrito em três locais, cuja (difícil) interpretação indica, além do culto
religioso a que a capela ficava submetida, a data da construção – 1614 – e
quem a mandou fazer – Jorge de Faria Garcês, Fidalgo da Casa de Sua
Majestade.
Mas
a capela de maior significado histórico incluída no conjunto edificado da
Igreja Matriz é, sem dúvida a Capela dos Ferreiros.
Encosta-se esta ao flanco do Evangelho, entre a de São Brás
e a Torre. Tem como titular tradicional Nossa Senhora da Graça, gótica e
pertence à época dos Sécs. Xlll-XlV.
Cobre-a uma abóbada de pedra aparelhada, em berço quebrado
e contínuo, sem arcos de reforço. Tem à direita a porta de comunicação com
a Igreja, de arco quebrado e só com arestas chanfradas; ao lado esquerdo, o da
rua, abrem-se dois óculos redondos, de grande esbarro e de preenchimento
quadrilobado, separados no exterior por um contraforte de degraus, posto a meio.
Remata esta parede, na face de fora, uma cachorrada de feição românica e
simples.
Segundo Coelho Gasco, encontrava-se na parte de fora da
Capela um letreiro que dizia: " No nome de Deus e da Virgem Santa Maria
sua Madre, Domingos Joannes, Cavaleiro de Oliveira, fez esta Capela para si e
para sua mulher na era de 1279 ". Nas últimas obras não foi
encontrada e poderia mesmo estar no topo oculto pela torre. Não parece lícito
duvidar que tivesse existido já que outras fontes manuscritas se lhe referem.
Puderam, porém, suscitar-se, muito legitimamente, dúvidas acerca da exacta
transcrição do milésimo ou se haveria efectivamente referência ao ano ou,
como referido, à era.
O pequeno retábulo, de particular significado histórico,
representa, entre dois contrafortes com pináculos, um arco quebrado, de
cogulhos no extradorso, incluindo, em relevo, a Virgem com o Menino. Outra
Virgem com o Menino, da mesma época, Séc. XlV, está colocada acima do altar
num nicho tosco cavado na própria parede.
No topo oposto da capela estão colocados a par dois
túmulos, considerados da melhor escultura tumular do País. São esculturas de
estátuas jacentes, do Séc. XlV, uma masculina, vestida de túnica e manto de
ordem, segurando a espada com a direita e luvas com a outra, com um cão
estendido aos pés. A outra, feminina, vestida com grande luxo, também com um
cão aos pés. Ambas as arcas assentam em leões de duas épocas e representam
as estátuas fúnebres de Domingos Joannes e Domingas de Sabaché, esta, senhora
de origem francesa com quem o Cavaleiro de Oliveira casou em consequência da
sua estada como cavaleiro e, segundo se diz, condestável em França.
Apresentam ainda as tampas fúnebres alguns letreiros
insculpidos em escritura cursiva que se diz terem sido executados a mando do
grão mestre de Rodes, André do Amaral, quando em 1515 renovou a sua carta de
brasão, incluindo neste as armas do seu quinto avô, o Domingo Joannes.
Entretanto, uma personalidade de reconhecido mérito científico questionou
recentemente a legitimidade e a boa-fé destas inscrições, Afirmando não
serem elas mais do que um estratagema do Duarte do Amaral para obter o grau de
mestre da Ordem de São João de Jerusalém, que efectivamente conseguiu.
Deixemos, porém, essas dúvidas para quem sabe estudá-las, porque não é esse
o propósito deste Roteiro.
Sobre as duas esculturas encontra-se também uma escultura
que constitui mesmo o Ex-Libris da Cidade e do próprio Concelho e que é
exactamente a estátua do Cavaleiro de Oliveira – Domingos Joannes montado no
seu cavalo. Existe outra estátua idêntica no Museu Machado de Castro, em
Coimbra, havendo acesa polémica sobre se a cópias é a que se encontra na
Capela dos Ferreiros ou se esta é mesmo o original. Atrevemos-nos a dizer, com
algum orgulho, que a de Coimbra só pode ser a cópia. Encontra-se na Cidade,
adornado uma das suas rotundas, uma interpretação artística desta estátua em
tamanho aproximado ao natural.
A Capela de Sant´Ana apresenta-se como uma reconstrução
que lhe deu a fisionomia actual, datando aquela de 1793. Tal reconstrução
terá ficado a dever-se à ocorrência de um incêndio nos telhados em 4 de
Setembro de 1949 e foi realizada com cuidados suficientes quanto à necessidade
de respeitar o seu carácter antigo.
Tem um corpo principal e um secundário, que se reparte por
Capela-mor e Sacristia, dividindo-se a frontaria, como era tema da região, em
três partes verticais, por meio de pilastras, sendo mais alta a do meio e a da
cimalha mistilínia. A porta, acompanhada de postigos, é rematada pela bacia
das três janelas rasgadas que dão luz ao coro. A torre, à esquerda, é
moderna, apresentando a parte inferior do antigo campanário. A capela mereceu
recentemente obras de conservação, designadamente ao nível do interior, onde
agora se apresentam boas recuperações nos retábulos e novas pinturas nos
tectos, as quais foram realizadas com a alto patrocínio do grande benemérito
local, já falecido, Sr. Manuel Rodrigues Lagos.
A freguesia conserva ainda outros edificios religiosos, tanto
na Cidade, como nas povoações anexas, como sejam a Capela da Casa da Obra, do
Séc. XVlll, a Capela da Casa Museu da Fundação Dª. Maria Emília Vasconcelos
de S. José; Séc. XVll, particular da família Santos Costa, a Capela da S.ª
da Graça, em Gavinhos de Cima, a Capela de S. Sebastião, Sécs. XVll-XVlll, em
Gavinhos de Baixo, a Capela da Nª. Sª. da Luz, em Gramaços, a Capela de Stª.
Eufémia, do Séc. XVlll, particular da família Vaz Patto, em Gramaços, o
Oratório de Nª. Sª. de Fátima, em Vendas de Gavinhos, onde também se
encontra o Oratório de Nª. Sª. dos Aflitos ou Sª. dos Caminhos e a Capela do
Bussaquito, em Gavinhos de Baixo também.
As Alminhas marcam também presença em diversos pontos da
freguesia.
Património Civil e Natural
O Pelourinho, do Séc. XVll, manuelino, pertence ao grupo de
pelourinho classificados do tipo "mesa".
A
Casa Museu Dona Maria Emília Vasconcelos Cabral era a antiga "Casa de
Baixo", do Séc. XVlll-XlX, que pertenceu ao fidalgo Francisco Cabral
Metello, o qual a veio a legar ao concelho de Oliveira do Hospital, juntamente
com todo o património da família em Oliveira do Hospital e em Lisboa, através
da constituição de uma fundação com o nome de sua mãe e que dá também
nome à Casa Museu. Foi uma magnífica moradia solarenga com janelas de cantaria
trabalhada de corte curvo e pequeno avental possuindo cabeceira alta, recortada,
com brasão partido: a primeira pela cortada de Faria e Garcês, a segunda de
Macedos. À mesma família dos Cabral Metello pertenceu também a "Casa de
Cima" da qual se diz ter sido muito mais exuberante, mas que veio, num acto
ainda hoje o Palácio da Justiça. Esta "Casa de Baixo" foi entretanto
beneficiária de um processo de recuperação estrutural muito abrangente,
suportado pelo produto do legado e com a colaboração financeira da Câmara
Municipal, para hoje nela se encontrar um magnífico museu, considerado único
em Portugal e que pretende reconstituir a monarquia romântica da nossa
sociedade burguesa anterior à implantação da República.
As construções particulares de elevado interesse histórico
e patrimonial são também muitas, entre elas a casa brasonada, propriedade da
família Lagos em Gavinhos de Baixo, do Sécs. XVlll-XlX, e também o Solar da
família Vaz Patto em Gramaços, do Séc. XVlll, com a capela datada de 1789.
A
merecer, contudo, destaque principal surge o edifício dos Paços do Município,
construção do Séc. XlX, 1880. Supõe-se ter este edifício sido construído
sobre as ruínas da antiga Casa da Ordem de Malta, como nos lembra o escudo
ostentando a simbólica Cruz dos Cavaleiros de S. João de Jerusalém, que se
destaca sobre a janela central do edifício. Apresentando um elevado estado de
degradação interior e exteriormente, entendeu a Câmara Municipal, sob a
presidência do Eng.º Carlos Portugal, levar a efeito um projecto de
remodelação abrangente, mas com grandes preocupações de não desvirtuar ou
"ofender" o seu aspecto original.
A Casa da Obra é também um belo edifício do início do
Séc. XX, em cantaria e com gradeamentos de ferro forjado, tendo acoplada a
capela já referida. Estando nos dias de hoje, a Casa da Obra de Dª. Josefina
da Fonseca, em funcionamento uma creche e jardim de infância.

Num misto de património arquitectónico e arquitectura
moderna, pode também ser encontrada a Casa da Cultura César de Oliveira, que
constitui um excelente aproveitamento de uma antiga escola primária de projecto
Adães Bermudes. Foram nela instalados, por iniciativa do presidente da câmara,
cujo nome a mesma veio a adoptar, um auditório para cinema e espectáculos, uma
sala de leitura, uma sala polivalente para actividades culturais e a Biblioteca
da Fundação Caloute Gulbenkian, embora esta em condições algo precárias e,
daí a necessidade de aparecimento de um projecto para a sua localização
noutro belo edifício da Cidade que é a Casa dos Magistrados, no Largo Ribeiro
do Amaral.
Como
estatuária, destaca-se, pelo seu simbolismo, a Estátua do Cavaleiro de
Oliveira do Hospital, obra escultural de 1960, que é uma interpretação livre
do mestre António Duarte, da que se encontra no interior da Capela dos
Ferreiros. Situa-se numa das rotundas da Cidade na entrada Sul desta.
Outra obra carregada de simbolismo é a estátua do Pastor,
evocativa do Pastor Serrano e que surgiu por iniciativa do Dr. António Simões
Saraiva, então presidente da Câmara Municipal, em homenagem a uma das
profissões mais antigas e de maior significado em todo o concelho.
Encontram-se ainda na Cidade o Monumento aos Combatentes da
primeira Grande Guerra e o Monumento Comemorativo da Independência Nacional.
Neste grupo destaque para uma enorme Tília, "Tília
tomentosa Moench", árvore classificada de Interesse Público, no Adro da
Igreja Matriz em Oliveira do Hospital.
Património natural de especial relevância é também o
Parque do Mandanelho, que pode considerar-se o "pulmão" da Cidade de
Oliveira do Hospital. É uma excelente zona de lazer, muito arborizada e já
razoavelmente infraestruturada, onde existe já também palco para realização
de espectáculos ao ar livre, dada a sua especial aptidão para o efeito advinda
da sua topografia semelhante a anfi-teatro.
É neste maravilhoso espaço, aliás, que habitualmente se
realiza a FICACOL – Feira Industrial, Comercial, Agrícola e Cultural do
Concelho de Oliveira do Hospital, a qual pretende ser anualmente o certame onde
se mostram as grandes potencialidades do concelho ao nível da indústria, do
comércio, do artesanato, da gastronomia, da cultura, da etnografia e de todas
as mais diversas manifestações artísticas e populares das vinte e uma
freguesias do Concelho.
Notas
Históricas, Artísticas e Culturais
Nasce a actual Sede de Concelho na época da 2ª Cruzada,
quando, em São João de Jerusalém, na Terra Santa, é fundado um hospital que
irá receber os peregrinos doentes, estropiados e vítimas, por vezes, de
ataques e assaltos em tão longa caminhada que os levaria junto do Santo
Sepulcro. O primitivo nome da povoação havia sido Ulvária, que significa
terreno alagadiço onde há ulvas (plantas que se desenvolvem naquele ambiente);
de Ulvária terá derivado para Ulveira e daqui, por analogia e deturpação,
para Oliveira. O nome "do Hospital" resulta exactamente da
atribuição de uma Comenda à Ordem dos monges de S. João de Jerusalém, Ordem
dos Hospitalários.
Os monges desta Ordem, pela relevância da sua benemérita
vocação, não só se espalham pelos diversos territórios onde a reconquista
cristã ainda não tinha terminado, como também, por reconhecimento do seu
mérito, são prodigamente amparados pelas frequentes doações e heranças com
que reis e grandes dignatários da corte os contemplam.
Foi pois, no ano de 1120, que a rainha Dª. Teresa, mãe de
D. Afonso Henriques, fez doação desta vila aos cavaleiros da referida Ordem.
Tratava-se inicialmente de uma herdade entre Bobadela e Oliveira do Hospital,
depois acrescentada em doações particulares e alargada nos seus domínios a
limites que excederiam a dada época toda a área actual do Concelho de Oliveira
do Hospital.
Supõe-se mesmo que era exactamente em Oliveira do Hospital
que a Ordem de Malta, que gozava de grandes privilégios, tinha a sua sede ou
convento principal em edifício implantado no local onde actualmente se
encontram o edifício dos Paços do Município e a Igreja Matriz.
Quando D. João lll mandou fazer o Cadastro da População do
Reino existiam na área do actual concelho de Oliveira do Hospital, além desta,
mais as seguintes vilas, ou concelho: Avô, Bobadela, Ervedal, Lagares, Lageosa,
Lagos, Lourosa, Nogueira, Penalva de Riba d`Alva, S. Sebastião de Riba d`Alva,
Seixo e Vila Pouca da Beira. Era o Concelho de Oliveira do Hospital então mais
pequeno do que a sua actual paróquia.
D. Manuel l concedeu-lhe foral novo em 27 de Fevereiro de
1514. No Séc. XVll já lhe pertencia a pequena paróquia de Lageosa, mas foi
durante o século passado, com as sucessivas reformas de âmbitas administrativo
e judicial que, pela extinção dos pequenos concelhos limítrofes de Lagares da
Beira, Lagos da Beira, Nogueira do Cravo e Bobadela, o concelho de Oliveira do
Hospital ficou com 9 freguesias e, mais tarde ainda, pela extinção dos
concelhos de Penalva de Alva, Ervedal da Beira, Avô e S. Gião, que ficou com
um total de 20 freguesias. A partir de então o concelho de Oliveira do Hospital
ficou praticamente com a área actual até 1988, ano em que foi criada a mais
nova freguesia de Vila Franca da Beira por desanexação de um lugar da
freguesia de Ervedal da Beira. E assim se formou o extenso concelho de Oliveira
do Hospital, com 234.55km2, o mais "nortenho" do Distrito de Coimbra.
A Vila de Oliveira do Hospital foi elevada à categoria de
Cidade pela Lei n.º 23/93, de 2 de Julho.
Entre os muitos notáveis que este concelho conheceu,
conta-se a figura mítica de Domingos Joannes, cavaleiro da Ordem dos
Hospitalários, que viveu no Séc. Xlll e que foi responsável pela construção
do monumento mais notável que a Cidade conhece – A Capela dos Ferreiros.
Dentro dela encontra-se uma bela estátua de um cavaleiro na sua montada que,
segundo se crê, representa o próprio Domingos Joannes, estátua que foi há
muito baptizada como "Cavaleiro de Oliveira" e que representa o grande
ex-libris desta terra e deste concelho.
População
e Economia Local
A freguesia de Oliveira do Hospital apresenta-se no
Censos´91 com uma população residente de 3.510 habitantes, embora se saiba
que este valor não corresponde minimamente à realidade. Segundo algumas
pesquisas feitas localmente, a população da Cidade ronda as 6.000 pessoas, do
que se conclui que a população de toda a freguesia estará próxima dos sete
milhares de residentes.
A sua economia local assenta sobretudo numa base industrial
muito consolidada em termos económicos, na medida em que as grandes unidades
industriais existem há longos anos com grande sucesso, mas também muito
diversificada, porquanto abrange variados sectores da actividade económica.
Sendo a indústria de confecções a mais representativa, cuja qualidade é
reconhecida internacionalmente, fazem também parte do tecido industrial,
empresas de transformação de madeiras, de fabrico de mobiliário, de
transformação e congelação de alimentos, de metalomecânica e metalúrgica
ligeira, de fabrico de sirgarias e passamanarias, de transformação de granitos
e mármores, de fabrico de moldes para a indústria cerâmica, de montagem de
componentes eléctricos, de tipografia e artes gráficas e ainda de outros
pequenos sectores menos expressivos.
Para além da indústria, a mão-de-obra activa, que
corresponde quase na totalidade à população em idade activa já que não há
praticamente desemprego, ocupa-se também em sectores como a construção civil
e a promoção imobiliária, igualmente muito fortes no contexto da economia
local e com grande "exploração" em termos regionais e nacionais e no
sector terciário, ocupando aqui o comércio uma posição invejável no
contexto regional. Algumas actividades comerciais, são mesmo a grande
tradição de Oliveira do Hospital, já que foi a partir destas que se geraram
as grandes iniciativas industriais hoje conhecidas. A agricultura e pecuária,
embora com algum significado, sobretudo através da existência de rebanhos de
ovelha bordalesa Serra da Estrela – a tal ovelha que produz o leite a partir
do qual se faz o Queijo Serra da Estrela – não é muito expressiva, se
comparada com os outros sectores, sendo mesmo praticada na sua grande maioria
pelas famílias residentes nas povoações periféricas e em regime de
complemento às actividades profissionais principais.
Cultura
e Desporto
A cultura é sobretudo desenvolvida a partir de iniciativas
da Câmara Municipal utilizando as excelentes instalações da Casa da Cultura
César de Oliveira, às quais são acrescentadas as actividades desenvolvidas
pelo Coral de Sant´Ana, muito conceituado no meio musical do género e pela
Escola de Música do Clube de Caça e Pesca de Oliveira do Hospital, que criou
já a sua orquestra juvenil.
Para o desporto, há na Cidade excelentes instalações
desportivas, como o Estádio Municipal, o Pavilhão Desportivo Municipal o
Complexo Municipal Piscinas/Campos de Ténis e um polidesportivo descoberto.
Daí que a actividade desportiva seja muito variada em relação a modalidades
– futebol, basquetebol, hóquei em patins, natação, cicloturismo, atletismo,
etc. – mas também muito criativa em termos de iniciativas neste âmbito.
Considera-se mesmo ser este o concelho que apresenta maior dinâmica em termos
desportivos em toda a região centro do País, tal é a diversidade de
manifestações que aqui são frequentemente desencadeadas. Destacam-se entre
elas o Rally Cidade de Oliveira do Hospital, que anualmente reúne os melhores
pilotos nacionais da modalidade, as provas de todo-o-terreno e enduro, os
circuitos de cicloturismo, algumas partidas de excepcional relevância
desportiva nas modalidades basquetebol e hóquei em patins e, naturalmente, os
jogos dos campeonatos que disputam as equipas locais nas diversas modalidades.
Desenvolvimento Social
Na educação, a freguesia dispõe de escolas em todos os
níveis de ensino, incluindo o ensino profissional. É de referir que abriu
ainda este ano lectivo, estando em funcionamento a, Escola de Ensino Superior,
que ficou designada como Escola Superior de Tecnologia e Gestão.
A saúde é assegurada pelo Hospital da Fundação de
Aurélio Amaro Diniz, com um vasto conjunto de valências médicas, mas também
pelo centro de saúde que dispõe de edifício de construção recente.
Em termos de apoio social existem todas as valências para
primeira infância e terceira idade, desenvolvidas por diversas instituições,
destacando-se de entre elas a Fundação de Aurélio Amaro Diniz e a Casa da
Obra de D. Josefina da Fonseca.
Artesanato e Produtos Endógenos
O artesanato tem a sua maior expressão nos trabalhos em
cobre, latão e ferro forjado e que, de algum modo, representam o concelho a
este nível.
A gastronomia local, não difere muito, tanto em pratos
principais como na doçaria, do que é a gastronomia tradicional das restantes
freguesias do concelho. Sobressai o famoso Queijo Serra da Estrela, que nesta
freguesia é também produzido com excelente qualidade e merecedor de
certificação da região demarcada. Tem sede nesta Cidade a Confraria Nacional
do Queijo da Serra.
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